estória, nf (bras.) arcaísmo que se procura revitalizar para, em contraste com história (baseada em documentos), significar narrativa de ficção. (in Dicionário Enciclopédico Verbo)

Sábado, Setembro 15, 2007

De lágrimas nos olhos tentava perceber onde tinha errado. Como podiam ter deixado as coisas chegar àquele ponto?
A resposta não existia. Pelo menos não nas suas confusas cabeças repletas de sentimentos atirados sem regra pelos seus corações.
As lágrimas diziam-lhes que nenhum deles se convencia que era o fim mas, depois de secadas, a dúvida ficaria e, entrepor-se-ia diariamente, manchando todos os momentos aparentemente bons, como uma nódoa díficil de tirar de uma peça de roupa favorita.

Interrogava-se se comparar a sua relação a uma peça de roupa não revelava por si só o vazio em que esta se tinha tornado.

Escrito a 12-08-2007 editado a 15-09-2007

Quinta-feira, Setembro 13, 2007

Enquanto ele canta relembro-me de todos os momentos. Os bons, muito bons mesmo! Mas também os maus que vieram depois e não pouparam ninguém. A cidade maravilhosa ficou para sempre manchada pelos nossos actos. Não há nada a fazer. Tento separar os sentimentos, as sensações, as lembranças... Mas e a música.... é impossivel desligar a música do resto... quando as oiço, às músicas, aquelas que podiam ser as nossas músicas mas que não o são, não consigo evitar lembrar-me de ti, mas tento....
Não me deixaste um sabor amargo na boca. Deixaste, sim, uma recordação de confrontação diária.
Amávamo-nos para logo depois nos confrontarmos.
E ao fundo as cores, as luzes, as árvores, as músicas, os cheiros... O quente verão que nos obrigava a passear despidos pelo teu pequeno quarto. Que fazia com que os nossos suores escorressem em pinga enquanto nos explorávamos. Que tornou a recordação daqueles momentos tão intensa, tão sensual e ao mesmo tempo tão perigosa e proibida.
Recordo-te de forma agridoce, não me parece que o mesmo aconteça contigo.

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A luz entra de forma preguiçosa pelas frinchas do estore semi-fechado. Estás despido e estendido sobre a cama. Os lençóis em desalinho emolduram o teu corpo quase perfeito não fosse a penugem excessiva. O sol quente de fim de tarde faz viajar o quarto no tempo relembrando uma fotografia antiga.
No presente,
olhas-me enquanto eu me dirijo para o WC. Pela primeira vez não sinto vergonha de mim ao pé de ti.


escrito a 13-08-2007, editado a 13-09-2007
O pequeno Lord sentado na sua poltrona polia o seu diamante em bruto.
O diamante acabou por desaparecer de tanto polimento.

escrito a 13-08-2007 editado a 13-09-2007
O desespero instalou-se de mansinho.
Primeiro uma enorme vontade de revolta para com as injustiças do seu pequeno mundo. Depois as primeiras lágrimas grossas começaram a cair languidamente, escavando sulcos brilhantes na face enxuta. Aos poucos os ombros começam numa dança estranha, mas envergonhada ela tenta fazê-los parar. Olha-se ao espelho e não reconhece a cara vermelha e retorcida que a olha. Os olhos brilhantes e rasos de àgua, olham-na com pena, e ela ainda fica mais revoltada!
Lava a cara. A água fria acalma por breves momentos o estranho impeto que a faz chorar. Ao olhar-se novamente encontra os olhos tristes, de cor esbatida pelas lágrimas, e entrega-se mais uma vez à triste dança desta vez mais forte e poderosoa e acompanhada de alguns soluços quase forçados.
Depois da tempestade vem a bonança.

escrito em 26-07-2007 editado a 13-09-2007