Olhava-se ao espelho.
O peito nunca fora bonito e com a idade não melhorara. As coxas eram demasiado grossas e a marca do pouco exercício, da má circulação e do estrogénio era bem notória. Acariciava agora o ventre arredondado, era ainda assim sedutor, talvez devido ao toque aveludado da pele morena e lisa quase sem penugem. No conjunto talvez não estivesse assim tão mal. Mas ao pensar nisto vieram-lhe à memória imagens da noite anterior.
Tinha sido dificil resistir à jovem tentação que tanto se insinuara. Mas o receio de tudo não passar de uma cruel brincadeira falou mais alto e entrando no jogo foi brincando com o seu interlocutor.
A diferença de anos poderia não ser muito notória daqui a algum tempo, mas agora era-o e muito. Interrogava-se o que levaria um "miúdo" a tentar alguma coisa com ela. Vendo bem não era assim tão interessante. Que poderia ter ela para lhe oferecer? Nunca fizera as delícias da maioria dos homens! Estava habituada a desencaixados da realidade e com esses normalmente entendia-se bem. As breves passagens pela sociedade comum ensinaram-lhe que não se encaixava no tipo de relações e comportamentos esperados, que não era de todo, a típica mulher romântica e dependente que tanto agradava a muitos homens. E agora este jovem imberbe cujas roupas ainda eram, certamente, escolhidas pela mãe insinuava-se descaradamente com uma pretensa paixão ardente.
Estava baralhada, alguma coisa lhe estava a escapar.
estória, nf (bras.) arcaísmo que se procura revitalizar para, em contraste com história (baseada em documentos), significar narrativa de ficção. (in Dicionário Enciclopédico Verbo)
Terça-feira, Fevereiro 13, 2007
Primeiro envolveu-a num abraço apertado, sentiu-a tensa e aos poucos afastou-se. Tinha sido um movimento instintivo de protecção ao vê-la assim frágil. Via a sua cara tensa, os olhos brilhantes lutavam para não deixar escapar nenhuma lágrima, mas ele sabia que era uma questão de tempo até que ela cedesse. Conheciam-se há demasiado tempo para que ela pudesse fingir.
Ela olhava-o num misto de interrogação e desespero que ele não compreendia. Interrogava-se se o seu abraço teria piorado ainda mais as coisas. Há tanto tempo que esperava uma oportunidade para lhe mostrar os seus sentimentos...
Sempre pensara que o ideal seria que estivessem a sós, longe do trabalho... mas a oportunidade ainda não surgira ao longo dos 9 anos em que se conheciam...
O momento não era certamente o mais apropriado. Nem sabia bem o que se passara. Há muito que eram conhecidas as diferenças entre ela e o Chefe mas, até hoje, ambos se tinham esforçado para manter uma relação profissional.
Ela continuava a olhá-lo, o olhar brilhante tinha ficado ainda mais intenso mas o semblante desesperado dera lugar a um ar quase alucinado. Conhecia aquele ar furioso. Sabia que na cabeça dela um plano estava a ser delineado a quente e que as consequências poderiam ser drásticas;
Ela continuava muda e baixou-se para pegar nos dossiês que atirara ao chão após o afastar do chefe.
Pousou as coisas no carro e dirigiu-se ao lugar do condutor, finalmente perguntando numa voz excessivamente calma:
- "Queres que te leve a algum lado?"
Hesitei, queria-lhe dizer que sim. Talvez não fosse a melhor oportunidade... Mas era uma oportunidade!
- "hum... Não, tenho de ficar aqui a acabar umas coisas, mas obrigada. Ficas bem?"
- "Sim, claro!" disse ela com um sorriso meio de esguelha e foi-se embora.
Ela olhava-o num misto de interrogação e desespero que ele não compreendia. Interrogava-se se o seu abraço teria piorado ainda mais as coisas. Há tanto tempo que esperava uma oportunidade para lhe mostrar os seus sentimentos...
Sempre pensara que o ideal seria que estivessem a sós, longe do trabalho... mas a oportunidade ainda não surgira ao longo dos 9 anos em que se conheciam...
O momento não era certamente o mais apropriado. Nem sabia bem o que se passara. Há muito que eram conhecidas as diferenças entre ela e o Chefe mas, até hoje, ambos se tinham esforçado para manter uma relação profissional.
Ela continuava a olhá-lo, o olhar brilhante tinha ficado ainda mais intenso mas o semblante desesperado dera lugar a um ar quase alucinado. Conhecia aquele ar furioso. Sabia que na cabeça dela um plano estava a ser delineado a quente e que as consequências poderiam ser drásticas;
Ela continuava muda e baixou-se para pegar nos dossiês que atirara ao chão após o afastar do chefe.
Pousou as coisas no carro e dirigiu-se ao lugar do condutor, finalmente perguntando numa voz excessivamente calma:
- "Queres que te leve a algum lado?"
Hesitei, queria-lhe dizer que sim. Talvez não fosse a melhor oportunidade... Mas era uma oportunidade!
- "hum... Não, tenho de ficar aqui a acabar umas coisas, mas obrigada. Ficas bem?"
- "Sim, claro!" disse ela com um sorriso meio de esguelha e foi-se embora.
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