Não sabia o que escrever. Sentado em frente ao papel, revirava a caneta entre os dedos e amaldiçoava as horas que passava no carro a "escrever" histórias intermináveis e mirabolantes, sem qualquer tipo de registo para as guardar! Onde estavam as ideias agora? O que era feito do extraterrestre hermafrodita que tentava perceber o porquê destas relações confusas entre os habitantes deste planeta a que chamavam terra?
Porque lhe pareceria esta história, agora, tão descabida?
E onde estavam a Sofia e o Sérgio e a sua história de vida mundana.
Onde andavam todos os seus heróis, onde estavam as suas aventuras e desventuras?
Sabia que esta era a razão porque nunca poderia dizer-se de facto escritor. Faltava-lhe a garra, a imaginação, a tenacidade, para pegar numa história e desenvolvê-la, levá-la até ao fim...
Mas vendo bem, não era toda a sua vida assim?...
estória, nf (bras.) arcaísmo que se procura revitalizar para, em contraste com história (baseada em documentos), significar narrativa de ficção. (in Dicionário Enciclopédico Verbo)
Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006
Sábado, Fevereiro 18, 2006
Lá fora chove torrencialmente... O temporal é desmedido e faz voar tudo o que encontra pela frente. Até o chapéu amarelo já quis levantar voo.
Enquanto isso, encolhida no seu casaco azul, a rapariga ouve o silvar do vento, os trovões ocasionais e observa os relâmpagos que iluminam o céu negro esporadicamente. Já não há luzes na rua, nem pessoas... a Tv, ineficazmente, tenta sobrepôr-se ao temporal.
Tudo escuro, nada para fazer a não ser esperar que passe.
Enrola-se um pouco mais e cobre-se com a manta de lã fofa, adormecendo embalada ao som da tempestade. A alvorada seguinte certamente trará mais luz e acalmia.
Enquanto isso, encolhida no seu casaco azul, a rapariga ouve o silvar do vento, os trovões ocasionais e observa os relâmpagos que iluminam o céu negro esporadicamente. Já não há luzes na rua, nem pessoas... a Tv, ineficazmente, tenta sobrepôr-se ao temporal.
Tudo escuro, nada para fazer a não ser esperar que passe.
Enrola-se um pouco mais e cobre-se com a manta de lã fofa, adormecendo embalada ao som da tempestade. A alvorada seguinte certamente trará mais luz e acalmia.
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
Todos os dias tinham discussões infindáveis.
Ela jovem e inocente achava que podia mudar o mundo com as mãos; ele com a sua voz pausada e cabelo grisalho pelos anos, embora admirado pela preserverança e paixão juvenil da rapariga, olhava-a de foma um pouco paternalista convencido que o tempo lhe daria razão a ele.
Discordavam sobre a maioria dos assuntos. Sentavam-se horas e horas à mesa dos cafés a discutir interminavelmente as razões que os levavam a ter este ou aquele argumento como principal. Chegavam a ficar extenuados de tanto refutar a opinião contrária.
Os anos se passaram, a rapariga, já mulher, nunca mudou de opinião e o homem inconformado, aos poucos cansou-se da guerra de palavras.
Ela jovem e inocente achava que podia mudar o mundo com as mãos; ele com a sua voz pausada e cabelo grisalho pelos anos, embora admirado pela preserverança e paixão juvenil da rapariga, olhava-a de foma um pouco paternalista convencido que o tempo lhe daria razão a ele.
Discordavam sobre a maioria dos assuntos. Sentavam-se horas e horas à mesa dos cafés a discutir interminavelmente as razões que os levavam a ter este ou aquele argumento como principal. Chegavam a ficar extenuados de tanto refutar a opinião contrária.
Os anos se passaram, a rapariga, já mulher, nunca mudou de opinião e o homem inconformado, aos poucos cansou-se da guerra de palavras.
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
Haviam decidido juntar-se. O restaurante tinha sido marcado, cada um, em casa, se aprontava olhando-se repetidamente ao espelho e interrogando-se que sensação causaria nos outros. Todos estavam apreensivos.
Os anos tinham passado, nenhum deles era ainda adolescente, alguns tinham sucesso outros nem por isso, uns tinham família, outros procuravam ainda viver os momentos sem pensar no futuro! Mas no fundo todos eram inseguros, todos tinham dúvidas e todos queriam impressionar.
Vagarosamente cada um saiu de sua casa, e dirigiram-se até ao restaurante luminoso e intimidante onde cada um haveria de ser avaliado e avaliaria os outros!
Os anos tinham passado, nenhum deles era ainda adolescente, alguns tinham sucesso outros nem por isso, uns tinham família, outros procuravam ainda viver os momentos sem pensar no futuro! Mas no fundo todos eram inseguros, todos tinham dúvidas e todos queriam impressionar.
Vagarosamente cada um saiu de sua casa, e dirigiram-se até ao restaurante luminoso e intimidante onde cada um haveria de ser avaliado e avaliaria os outros!
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
Conhecia-lhe a voz. Todas as noites lá estava ele com a sua habitual voz calma e profunda segredando-lhe pequenas curiosidades ao ouvido.
Esforçava-se por imaginar como ele seria, mas as imagens que se formavam eram desfocadas. Imaginava-o alto, de cabelo ligeiramente desalinhado, ar sério e circunspecto, mas de fácil trato e talvez até um pouco tímido. Quando o ouvia, percebia na sua voz e na forma como falava das músicas, que estar ali naquele estúdio à noite provavelmente sózinho lhe dava um prazer enorme e isso fascinava-a.
Imaginava-o falando pausadamente para o microfone, pequenas sombras dançantes no seu rosto, provenientes das luzes de presença e da mesa de mistura. Via-o abrir cuidadosamente os CD's quase como que acariciando-os à medida que se lembrava das músicas que continham, via o seu sorriso de contentamento enquanto escutava o que ela própria ouvia a sair do seu pequeno rádio.
Tinha sido assim durante 10 anos. Nunca se tinham cruzado.
Ele nem sabia da sua existência, mas ela sabia que um dia se cruzariam e falariam durante horas a fio, até que aquela voz distante lhe segredasse perto do ouvido, e lhe mostrasse a música que, agora, ouviam distantes.
Finalmente chegara o dia. Não sabia como ele era...não sabia o que lhe diria...,mas levantou-se da poltrona, vestiu o seu casaco vermelho, ajeitou os ganchos no cabelo desalinhado e saiu em direcção ao encontro que há tanto esperava.
Esforçava-se por imaginar como ele seria, mas as imagens que se formavam eram desfocadas. Imaginava-o alto, de cabelo ligeiramente desalinhado, ar sério e circunspecto, mas de fácil trato e talvez até um pouco tímido. Quando o ouvia, percebia na sua voz e na forma como falava das músicas, que estar ali naquele estúdio à noite provavelmente sózinho lhe dava um prazer enorme e isso fascinava-a.
Imaginava-o falando pausadamente para o microfone, pequenas sombras dançantes no seu rosto, provenientes das luzes de presença e da mesa de mistura. Via-o abrir cuidadosamente os CD's quase como que acariciando-os à medida que se lembrava das músicas que continham, via o seu sorriso de contentamento enquanto escutava o que ela própria ouvia a sair do seu pequeno rádio.
Tinha sido assim durante 10 anos. Nunca se tinham cruzado.
Ele nem sabia da sua existência, mas ela sabia que um dia se cruzariam e falariam durante horas a fio, até que aquela voz distante lhe segredasse perto do ouvido, e lhe mostrasse a música que, agora, ouviam distantes.
Finalmente chegara o dia. Não sabia como ele era...não sabia o que lhe diria...,mas levantou-se da poltrona, vestiu o seu casaco vermelho, ajeitou os ganchos no cabelo desalinhado e saiu em direcção ao encontro que há tanto esperava.
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