Dizem que se ficamos muito tempo sem ver o sol, ficamos amarelos, murchos...
Pois esta mulher não saia há anos de casa. Ninguém sabia o que lhe acontecera. Alguns vizinhos contavam histórias que alguém lhes tinha contado a eles, e que à força de recontadas, pareciam todas diferentes. Os miúdos, com a sua imaginação fértil, inventavam que era uma bruxa, que tinha sido raptada por extraterrestres, que vinha de um outro planeta, que fazia experiência ciêntificas em casa com gatos vadios e mais uns sem número de disparates...Que outra razão poderia haver para o seu isolamento, as suas roupas e aspecto estranho.
Mas esta mulher estava alheia a todo este interesse, que tinham por ela. Fechara-se porque não tinha conseguido encarar o mundo. Assim estava protegida no seu castelo, achava ela; no entanto, sentia-se só e questionava-se se tudo não poderia ser diferente. Sentia a falta do mar, da praia, do vento nos cabelos, sem ser o vento causado pelas correntes de ar em casa.
Certo dia, levantou-se e decidiu acabar com o seu retiro, vestiu o fato de banho fora de moda, calçou uns chinelos, pôs uma toalha ao ombro e saiu em busca do mar e da praia, que tanta falta lhe faziam.
estória, nf (bras.) arcaísmo que se procura revitalizar para, em contraste com história (baseada em documentos), significar narrativa de ficção. (in Dicionário Enciclopédico Verbo)